O MELANOMA MALIGNO
O melanoma maligno é o tumor mais agressivo que se apresenta na pele. Sua incidência aumentou nas últimas décadas tal como refletem os resultados deste e outros estudos. O diagnóstico oportuno deste tumor permite dar um tratamento adequado que consegue a cura se for identificado quando ainda se encontra localizado à epiderme.
De acordo com uma monografia de base teórica realizada pela AD Monografias e Pesquisas para TCC, viu-se o interesse na liberação deste artigo.
Classicamente os dermatologistas baseiam o diagnóstico dos melanomas na regra do ABCD, proposta nos anos oitenta, que está constituída por critérios morfológicos: assimetria, irregularidade das bordas, variedades de cor, e diâmetro maior de 5 mm.
Por sua simplicidade este método é o mais usado em todo mundo e tem uma sensibilidade de 65 a 80%. No entanto muitas vezes, quando se encontram já estas mudanças morfológicas, a lesão já é profunda (> 4 mm de Breslow) e seu prognóstico é negativo, pelo que se procuraram outras ferramentas que permitam identificá-los mais cedo.
A dermatoscopia é um método que ajudou a identificar precocemente os melanomas e outras lesões malignas. Sua principal vantagem é que aumenta a certeza no diagnóstico pré-operatório dos melanomas e cada vez se usa com maior freqüência como um adjuvante para a valoração de lesões pigmentadas, já que muitas vezes se extirpam lesões “suspeitas” para sua avaliação histológica, que finalmente resultam benignas. De acordo com tal monografia de suporte para TCC e outras monografias, visa-se caracterizar a utilização da dermatoscopia para a detecção mais afinada do melanoma.
Em um estudo prospectivo realizado na Itália, Carli e cols. encontraram que o exame de lesões pigmentadas, usando além do diagnóstico clínico a dermatoscopia, diminuía significativamente a quantidade de lesões benignas extirpadas cirurgicamente e, pelo contrário, aumentava o número de lesões altamente suspeitas e difíceis de diagnosticar que ao extirpar-se resultavam com alterações histológicas iniciais de melanoma.
No entanto, como qualquer método, não é infalível e em dois casos não se diagnosticou o melanoma na primeira visita, senão na segunda, seis meses mais tarde, quando se compararam as imagens das lesões suspeitas, encontrando um melanoma in situ e outro de Breslow de 0.4 mm de espessura (ainda com bom prognóstico por ter um Breslow < de 1 mm). As limitações da dermatoscopia para reconhecer um melanoma cedo se devem a que não há padrões específicos dermatoscópicos que de um modo confiável permitam diferenciar sem lugar a dúvidas um melanoma de um nevo melanocítico.
Em síntese, os estudos realizados até a data sobre a utilidade da dermatoscopia sugerem as seguintes conclusões:
A dermatoscopia seria uma ferramenta útil para diminuir o número de biopsias em lesões pigmentares (aumento de especificidade), sem aumentar o risco de não extirpar um MM (falso negativo) quando é realizada por dermatologistas experientes.
Este ponto implicaria benefícios importantes em termos de saúde pública e para cada paciente individual. Dentro de tal universo, este atributo seria suficiente para justificar amplamente o uso e aprendizagem da dermatoscopia entre os dermatologistas.
A dermatoscopia não demonstrou ser capaz de aumentar a sensibilidade para a detecção de MM na prática real. Esta observação se explicaria pelas limitações metodológicas dos trabalhos publicados até a data e propõe a necessidade de estudos com tamanhos mostrais maiores e do que consigam refletir a realidade da prática clínica diária.
O seguimento dermoscópico de lesões suspeitas seria de utilidade em pacientes de alto risco de MM e em lesões com certo grau de suspeita clínica. O umbral utilizado para classificar uma lesão como suspeita ou não suspeita seria o fator principal que faria desta técnica um benefício ou um risco potencial para o paciente.
O papel atual da dermatoscopia na prática clínica apresenta múltiplos interrogantes que devem ser esclarecidas no futuro. O desafio é grande, já que se trata de uma tecnologia em constante desenvolvimento que oferece novas aplicações que devem ser cada vez mais orientadas em prol dos pacientes.
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